O que aconteceu
Os legisladores poloneses falharam em reverter o veto presidencial a uma legislação cripto, enquanto a investigação sobre a Zondacrypto se expande e seu operador na Estônia entra em falência. Na última sexta-feira, o Sejm, a câmara baixa do parlamento polonês, votou 241 a 198 a favor de ignorar o veto do presidente Karol Nawrocki, ficando 25 votos aquém do necessário para a revogação.
Por que isso importa
A legislação vetada tinha como objetivo estabelecer um marco nacional para a aplicação do Regulamento de Mercados em Criptoativos (MiCA) da União Europeia, colocando a supervisão do mercado de cripto sob a Autoridade de Supervisão Financeira da Polônia (KNF). Atualmente, a Polônia ainda não possui uma autoridade designada para supervisionar o mercado de criptoativos, mesmo com o MiCA já em vigor na UE.
O escândalo Zondacrypto
O primeiro-ministro Donald Tusk destacou que a investigação criminal relacionada à Zondacrypto está se expandindo. Tusk revelou trechos de um testemunho que alega pagamentos e tentativas de influenciar políticos ligados ao governo anterior da Polônia. Um dos testemunhos sugere um arranjo de pagamento de 2 milhões de zlotys poloneses (cerca de 550 mil dólares) envolvendo uma fundação ligada ao ex-ministro da Justiça Zbigniew Ziobro.
Impactos financeiros
Os promotores poloneses estão investigando fraudes e lavagem de dinheiro relacionadas à Zondacrypto, com perdas estimadas em pelo menos 350 milhões de zlotys poloneses (95 milhões de dólares). O operador da Zondacrypto, BB Trade Estonia, foi oficialmente declarado em falência por um tribunal estoniano em agosto, com a primeira reunião de credores marcada para 17 de setembro.
O futuro da regulação cripto na Polônia
Apesar do apoio de Nawrocki à regulação cripto, ele argumenta que as regras propostas vão longe demais, citando preocupações sobre os custos regulatórios e os poderes das autoridades para bloquear sites. A Polônia, portanto, continua sem uma supervisão clara do mercado cripto, em um momento crítico para o setor.
