Pesquisa do Banco da Itália revela: stablecoins não são necessariamente mais baratas para remessas

Lionel Henrique
3 Min de Leitura

O que aconteceu

Uma nova pesquisa do Banco da Itália trouxe à tona uma realidade surpreendente sobre as remessas feitas com stablecoins. Em um experimento de compras misteriosas, o banco analisou 200 remessas de USDC em 10 corredores internacionais e descobriu que os custos totais variavam de 0,3% a quase 9% do valor enviado. Apesar de a transferência em blockchain custar apenas alguns centavos, os custos associados, como taxas de câmbio e encargos bancários, podem tornar o uso de stablecoins tão caro quanto os métodos tradicionais.

Por que isso importa

Os pesquisadores concluíram que, embora as stablecoins melhorem a velocidade de transferência de valor na blockchain, ainda não eliminaram o caro “último trecho” entre as criptomoedas e as moedas fiat locais. O estudo destaca um ponto crítico: a maioria dos usuários não está comprando transações em blockchain, mas sim transferindo dinheiro entre contas bancárias, muitas vezes em diferentes moedas.

Desafios e custos ocultos

O estudo revelou que as maiores despesas vêm da conversão de euros em USDC, do saque em moeda local e das taxas cobradas por exchanges e redes bancárias. Isso significa que, em vez de eliminar intermediários, o mercado de remessas com stablecoins simplesmente substitui os bancos correspondentes por um novo conjunto de intermediários.

O futuro das stablecoins

Embora o Banco da Itália reconheça que as stablecoins podem reduzir custos em corredores específicos, as vantagens de liquidação instantânea e programabilidade ainda não se traduzem em remessas consistentemente mais baratas. A pesquisa sugere que, à medida que provedores regulados de off-ramp se proliferem e sistemas de pagamento instantâneo se integrem mais estreitamente à infraestrutura de ativos digitais, as taxas de conversão poderão ser reduzidas. Contudo, as margens de câmbio ainda devem permanecer como um componente inevitável dos pagamentos internacionais.

Conclusão

Atualmente, as stablecoins resolveram o problema de mover valor entre blockchains, mas o desafio maior e mais caro continua: fazer com que esse valor chegue às mãos de quem realmente deseja gastar. A pesquisa do Banco da Itália nos faz questionar se a promessa das stablecoins realmente se concretizou para o consumidor comum.

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