Uma stablecoin russa sancionada, o A7A5, está no centro de uma controvérsia sobre o volume real de suas transações. Enquanto o emissor do token afirma processar mais de US$ 200 milhões em volume diário, analistas de blockchain contestam, dizendo que os números são inflacionados artificialmente por transações circulares.
A7A5, uma stablecoin lastreada no rublo russo, foi desenvolvida para contornar canais financeiros ocidentais. O token alega ter processado US$ 34,4 bilhões entre 1º de janeiro e 17 de junho deste ano, principalmente em plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), onde as transações ocorrem diretamente entre wallets de criptomoedas, sem necessidade de identificação dos usuários.
No entanto, empresas de análise de blockchain, como TRM Labs e Elliptic, discordam. Chris Keegan, da TRM Labs, afirma que o volume diário médio real do A7A5 é mais próximo de US$ 75 milhões e que parte significativa das transações são movimentos circulares de fundos. Tom Robinson, da Elliptic, destaca que o volume mensal de transações caiu mais de 90% desde janeiro, afetado por sanções e pelo colapso da exchange russa Grinex.
Oleg Ogienko, diretor de assuntos regulatórios do A7A5, rebate as críticas, afirmando que os dados de exchanges centralizadas não capturam a atividade completa do token, que ocorre em grande parte no DeFi. Ele critica o que considera uma abordagem discriminatória dos provedores de dados, como CoinMarketCap e CoinGecko.
O A7A5 foi lançado no Quirguistão em 2025, supostamente para ajudar a Rússia a evitar sanções ocidentais. No entanto, especialistas afirmam que a stablecoin permanece confinada ao ecossistema russo devido às sanções, o que impede sua listagem em plataformas globais de negociação.
