A Organização das Nações Unidas (ONU) deu um passo significativo ao expandir sua iniciativa de pagamentos com a blockchain da Stellar após a conclusão de projetos piloto em cinco países. Através de um novo acordo com a Stellar Development Foundation, a ONU busca integrar pagamentos baseados em blockchain em seus programas humanitários e de desenvolvimento.
Após 16 meses de pesquisa e testes em locais como Haiti, Síria, Quênia, Guatemala e Gâmbia, a ONU anunciou que a próxima fase irá estabelecer um processo para que os escritórios de países utilizem pagamentos em blockchain em uma gama mais ampla de programas. Segundo o Programa de Desenvolvimento da ONU (UNDP), os testes mostraram resultados mensuráveis, como a redução dos custos de distribuição de um programa de ‘Cash for Work’ na Síria, que caiu de 10% para 2%. Além disso, um projeto no Haiti conseguiu continuar processando pagamentos mesmo durante uma interrupção da rede celular.
A crescente adoção de redes de pagamento em blockchain, especialmente aquelas que suportam stablecoins, tem sido promovida como uma solução para melhorar os pagamentos transfronteiriços e remessas, especialmente em regiões com acesso limitado a serviços bancários tradicionais. Este movimento da ONU é um dos exemplos mais claros de uma agência da ONU se afastando de testes limitados de blockchain para uma utilização mais ampla da tecnologia em prol de causas humanitárias.
No mês passado, o UNDP lançou um Grupo Consultivo de Blockchain durante a conferência Proof of Talk em Paris, França, com o objetivo de orientar o uso da tecnologia blockchain em seus programas de desenvolvimento. Além dos pagamentos digitais, o grupo também irá explorar como a blockchain pode apoiar a infraestrutura pública digital e melhorar os sistemas públicos.
A expansão do uso de pagamentos em blockchain pelo UNDP reflete um impulso maior para modernizar os pagamentos transfronteiriços nos mercados emergentes. A alta taxa de custos de remessa e o acesso limitado a bancos tradicionais têm tornado as stablecoins uma alternativa cada vez mais atraente. Recentemente, a Ripple adquiriu uma participação acionária na fintech africana Flutterwave como parte de um esforço mais amplo para expandir a utilização de sua stablecoin RLUSD e do XRP Ledger na África, onde as remessas representam uma fonte importante de renda familiar.
A América Latina também está emergindo como um mercado-chave para remessas impulsionadas por stablecoins, com emissoras focadas em corredores de pagamento na Argentina, Bolívia, Colômbia e Venezuela. A ex-secretária-geral adjunta da ONU, Vera Songwe, destacou que a crescente importância dos pagamentos digitais vai além das remessas. Durante uma reunião do Fórum Econômico Mundial em janeiro, ela afirmou que as stablecoins estão se tornando ‘mais importantes que a ajuda’ em algumas economias em desenvolvimento, pois oferecem acesso a serviços financeiros digitais onde o sistema bancário tradicional é inacessível.
