Stablecoins não são confiáveis para pagamentos em larga escala, afirma chefe do BIS

Fernando Vitovisk
3 Min de Leitura

O que aconteceu

Pablo Hernández de Cos, chefe do Banco de Compensações Internacionais (BIS), lançou uma crítica contundente às stablecoins, afirmando que elas carecem de credibilidade como meio de pagamento em larga escala. Em meio ao desenvolvimento de regulamentações globais sobre esses ativos, o BIS questiona a viabilidade das stablecoins como dinheiro do dia a dia.

Por que isso importa

Hernández de Cos, que é candidato para suceder Christine Lagarde na presidência do Banco Central Europeu no próximo ano, argumentou que os depósitos bancários tokenizados oferecem uma alternativa mais sólida. Ele destacou que esses depósitos podem aproveitar a tokenização preservando as bases do sistema monetário. Além disso, ele mencionou que, embora as stablecoins possam reduzir os custos de empréstimos para os governos, isso também pode ter um efeito negativo sobre os consumidores, uma vez que a migração de depósitos bancários para stablecoins pode resultar em custos de financiamento mais altos para os bancos, que, por sua vez, repassariam essas despesas aos cidadãos.

Desafios e diferenças regulatórias

O estudo mais recente do Instituto de Estabilidade Financeira (FSI), vinculado ao BIS, destaca as diferenças significativas nas regras que regem os emissores de stablecoins em mercados como os EUA, União Europeia, Reino Unido, Hong Kong e Cingapura. As abordagens variam, com os EUA e Cingapura adotando posturas relativamente restritivas em relação aos emissores não bancários. Por outro lado, Hong Kong, o Reino Unido e a UE apresentam regras menos rigorosas, permitindo algumas atividades adicionais com a devida autorização.

Interoperabilidade e soberania monetária

Hernández de Cos também apontou a limitada interoperabilidade entre plataformas de stablecoins e as dificuldades na aplicação consistente de controles contra lavagem de dinheiro. O aumento do uso de stablecoins atreladas ao dólar fora dos EUA poderia, segundo ele, comprometer a soberania monetária e enfraquecer as políticas monetárias internas.

Conclusão

A crescente discussão sobre as stablecoins e suas implicações para o sistema financeiro global continua a ser um tema quente entre reguladores e instituições financeiras. A dúvida que fica é: até que ponto as stablecoins podem realmente se estabelecer como uma alternativa viável no mercado financeiro?

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